O Mito da Escassez de Talento Digital

Existe uma ideia errada de que os colaboradores precisam de capacidades técnicas para ter sucesso na Era Digital. Saiba mais sobre a realidade além do mito.

É natural pensar em tecnologia quando consideramos a tendência para a digitalização que ocorre nas Organizações hoje em dia. Afinal, as novas tecnologias estão em toda a parte. Inteligência artificial, robôs, realidade virtual, comércio online, drones… a lista é quase infinita. E, certamente, as novas tecnologias digitais são uma das forças que impulsionam algumas das principais organizações do mundo: Amazon, Google, Facebook, Netflix, Uber e assim por diante.

Portanto, não é surpreendente que, ao decidir o talento de que precisam para ter sucesso neste mundo, muitas organizações sejam atraídas pelo talento técnico. Seja cuidadoso, no entanto, uma vez que esta linha de pensamento criou um dos mitos mais disseminados da Era Digital.

As Organizações que acreditam neste mito, creem que o talento mais importante de atrair, contratar, desenvolver e reter, é o talento técnico. E quando analisam o ritmo das novas tecnologias, presumem que a maioria dos colaboradores não tem ou não pode adquirir as capacidades técnicas necessárias, com suficiente rapidez. É fácil supor que há uma escassez generalizada de “talento digital”.

Efetivamente, algumas das funções em crescimento exponencial que têm escassez de talentos disponíveis são trabalhos técnicos: data scientists, engenheiros de software, web developers, para citar alguns. Mas estas funções são a exceção, não a regra.

Na SHL, analisámos o contexto que envolve a disponibilidade de talentos digitais, e as evidências mostram uma realidade muito diferente para a força de trabalho como um todo. Três pontos-chave surgiram do trabalho com centenas de Organizações e os milhões de indivíduos e líderes que elas procuram atrair, reter, desenvolver e gerir em organizações digitais em mudança exponencial:

  1. Embora a maioria das funções exija capacidade técnica, a maioria das competências necessárias para ter sucesso nos ambientes de trabalho digitais atuais não são, de todo, capacidades técnicas. São capacidades mais soft, centradas nas pessoas, como capacidade de aprendizagem, criatividade, pensamento crítico e colaboração. Outras “competências tecnológicas”, como entregar resultados e mostrar iniciativa, são competências igualmente importantes. Nenhum funcionário tecnicamente hábil terá sucesso no ambiente digital atual, sem essas competências.
  2. A falta de capacidades técnicas em si não é um desafio omnipresente. Os colaboradores não trabalham com novas tecnologias apenas quando estão a trabalhar. Devido ao uso crescente de tecnologias digitais fora do local de trabalho, a maioria das pessoas possui capacidades técnicas que são transferidas para o local de trabalho. Quantos de nós utilizam telemóveis por motivos pessoais além de profissionais? Quantos encomendam as suas compras online? Realizam transações bancárias através da Internet?
  3. Por fim, os próprios colaboradores não acreditam neste mito. Sete em cada dez colaboradores consideram-se especialistas ou totalmente proficientes nas tecnologias digitais fornecidas pelas suas Entidades Patronais. Claramente, muitas Organizações já estão a fazer um ótimo trabalho, ao equiparem os colaboradores com as capacidades necessárias para usarem essas “ferramentas fixes”.

 

O maior perigo de acreditar na ideia da escassez de Talento Digital, é que ela pode levar as Organizações a um desequilíbrio significativo de competências. Ironicamente, ao procurarem mais talento técnico, as Organizações estão a sujeitar-se a formar uma força de trabalho que não tem todo o leque de conhecimentos, competências e experiência de que precisam para ter sucesso no futuro cada vez mais digital que temos pela frente.

Na nossa experiência, as melhores Organizações começam por compreender os perfis únicos de que necessitam para toda a gama dos seus contextos digitais e, em seguida, atraem, desenvolvem e retêm colaboradores para cada um desses perfis, recorrendo a informação objetiva e cientificamente fundamentada.

Saiba mais sobre os mitos e as realidades do Talento Digital no nosso report Talent in the Digital Era, bem como no nosso blog sobre Talento Digital, que inclui publicações sobre agility e high potencial employees.

 

Mark Van Buren

Research Leader – SHL Research & Development

"Este projecto (de coaching) ajudou a organizar e a orientar as minhas prioridades; naturalmente, tudo se torna mais fácil quando temos o privilégio de trabalhar com o orientador certo."

Helena Bruno, Operations Finance Manager, Novo Nordisk